sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Em breve! O auto-retrato de Vitor Mizael e a arte do indizível

Auto.retrato, 2006
Auto.retrato, 2006

auto.retrato, 2007

domingo, 20 de janeiro de 2008

"Palhaços" está de volta!

Peça escrita por Timochenco Wehbi mostra encontro entre um palhaço e seu fã e discute o papel da arte e do artista na sociedade contemporânea
Fotos: Divulgação

O texto é da década de 70. Mas a realidade nos mostra que não há nada mais atual do que Timochenco Wehbi, dramaturgo paulista, quis evidenciar com "Palhaços" há mais de trinta anos.

O circo é decadente. Assim como as esperanças e a visão de mundo ultra-realista do palhaço Careta (Dagoberto Feliz).

Benvindo (Danilo Grangheia), o fã, é vendedor de uma loja de calçados, aspirante a gerente e, como fã incondicional do artista - esperançoso por um inocente bate-papo - vai cumprimentá-lo no camarim após o espetáculo. Não sabia, porém, que a proximidade da realização de um sonho poria também à prova as suas mais puras aspirações.

E é exatamente o que acontece quando, o que prometia ser um singelo e agradável diálogo enter fã e ídolo, torna-se um processo de quebra de paradigmas num jogo cênico tragicômico, uma sucessão de malabarismos físicos e mentais que apóiam o encontro das duas personagens e que acabam por mandar água abaixo todas as ilusões que compõem a relação artista x admirador.

Por meio da postura do palhaço Careta, que trava um diálogo contestador com o seu interlocutor, a peça mostra a realidade vivida pelos artistas atualmente, questiona o papel da arte e o que a sociedade contemporânea espera da classe.

Muitos são os pontos de atenção nesta produção. E, a meu ver, o mais interessante deles é a forma como o palhaço tira sua "máscara" e revela o ser humano por trás do artista. Com todas as suas dores, questionamentos, decepções e anseios.

A utilização de elementos cênicos infantis como os truques circenses, as músicas e as brincadeiras, é a antítese que conduz o espectador ao reconhecimento do que vem por trás de um figurino e uma maquiagem bem feita.

E os papéis são claramente invertidos. No decorrer do espetáculo, vemos um homem comum ter atitudes tipicamente clownescas e o palhaço transformar-se em um homem comum adicionando pitadas de atitudes cruéis ao seu comportamento diante do fã.

O desenrolar do espetáculo se dá unicamente pelo diálogo, um ping-pong entre as duas personagens que sustenta um crescente suspense até o final da montagem.

Careta passa a maior parte do tempo gozando o seu fã Benvindo e tira boas gargalhadas da platéia que é levada pelos atores para momentos que se dividem entre descontração e silêncio.

"Palhaços" é uma montagem de cenário simples e conteúdo gigantesco. Adiciona-se a isso o colorido especial que os atores Dagoberto Feliz e Danilo Grangheia emprestam ao texto com todo o seu talento e o firme propósito de transformar o pensamento. E conseguem. Como sempre.

Abaixo a excelente reflexão do diretor Gabriel Carmona:

Para que serve o artista?

Não há resposta absoluta. Pode até ser perigoso dar utilidade a algo que, por natureza, é inútil, tal qual fazer amor, festejar ou pensar.

Mas mais perigoso, chato e emburrecedor, é o que acontece hoje. Como em muitos momentos da história ocidental, a arte torna-se novamente instrumento moralizante, como um domador de circo, a serviço da ideologia vigente que nos quer amortecidos, apaziguados.

A intenção é clara: levar o indivíduo para longe de si, da sua realidade e dos seus desejos mais profundos e legítimos. Sentimento torna-se sentimentalismo, opinião torna-se senso comum.

Não sabemos a resposta, mas sabemos que o diálogo entre artista e sociedade, como tantos outros, está infantilizado, mecanizado e muito aquém de suas reais possibilidades. A fama é um véu que separa duas pessoas iguais: criador e público. Estamos todos no mesmo barco!

Mas já não basta denunciar, apontar as deformações nas relações sociais, interpessoais e de qualquer âmbito. Agora, é preciso desmontá-las, descobrir o que leva alguns artistas a se colocarem como detentores da verdade salvadora ou prostitutos do dinheiro e da fama.

E descobrir também como parte do público transformou-se em mero consumidor de entretenimento, que não quer pensar, nem ser desafiado ou posto em cheque, mas somente, por alguns minutos, sair dessa vida monótona e maçante para entrar no reino da fantasia, onde o mocinho sempre vence e o mal sempre é o outro.

O espetáculo é uma tentativa desesperada de comunicação, de diálogo. É isso que queremos. (Gabriel Carmona)

Palhaços
Teatro Ópera Buffa - Praça Franklin Roosevelt, 82, Centro, São Paulo.
50 lugares. tel.: (11) 3237-1980. Em janeiro: Domingos às 20h13. Em Fevereiro: Sábados às 21h13 e Domingos às 20h13. Ingressos: R$ 20,00 (meia-entrada - R$ 10,00)75 min. Até 24 de fevereiro.

Ficha técnica
Elenco:
Dagoberto Feliz e Danilo Grangheia
Autor: Timochenco Wehbi
Direção: Gabriel Carmona
Produção: Vitor Souza
Iluminação: Erike Busoni
Téc. de Luz: Marcela Donatus
Cenário: Flavio Tolezani
Figurino: Daniel Infantini

sábado, 19 de janeiro de 2008

"Coisa Boa Pra Você!" em curta temporada

Diversão garantida para sábado à noite, montagem satiriza os vespertinos televisivos

Murillo Flores e sua trupe voltam aos palcos com a peça "Coisa Boa Pra Você!", um programa de TV no qual as situações mais bizarras dos vespertinos brasileiros acontecem.

No melhor do humor sarcástico e inteligente, a montagem diverte ao abordar, com muita ironia, o que os bastidores escondem.

Com merchandisings, números musicais, desastradas aulas de artesanato, entrevistas e até intervalos comerciais, o grupo apresenta um trabalho muito bem elaborado e recheado de críticas nas entrelinhas.

Destaque para Nata$hara$ha e Priscilla Menucci.

Coisa Boa Pra Você!
Espaço Parlapatões
- Pça. Franklin Roosevelt, 158, Centro, São Paulo.
96 lugares. tel.: (11) 3258-4449 - Somente aos sábados às 00hs. Ingressos: R$ 20,00 (R$10,00 meia).
Até 02 de fevereiro.

Ficha Técnica:
Elenco:
Fabrícia Ouriveis, Luciano Assumpção, Murillo Flores, Nata$haRa$ha, Priscila Menucci, Stefany Di Bourbon (Ricardo Cavadas)
Direção: Murillo Flores
Backstage: Paula Tonolli
Figurinos e Adereços: ankh.art.br
Desenhos e Cenários: Lafaete Mont´Alegre
Produção: Humberto Rodrigues
Assistente de Produção: Karina Cardoso

Alguns momentos do espetáculo:
Fotos:
Divulgação

Nata$hara$ha e Ximiju

O merchan de Vitameat Vejamin pela "moça das vitaminas"

Ponto alto do espetáculo: Mein Herr

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Degustação de Histórias

"Contos Ciganos" da atriz Gabriela Hess é uma imersão na cultura gitana pelo despertar dos sentidos. Desfile de sabores e aromas envoltos pela magia de histórias milenares tradicionais

Por Patrícia Rocco

O mundo cigano e todo o seu encantamento. É para onde nos leva a atriz Gabriela Hess com seu projeto que une gastronomia, contação de histórias, ambientação típica, aromas, música e figurinos coloridos.

Durante as três horas de espetáculo, o público é transportado para uma verdadeira experiência sensorial e a uma viagem pela imaginação. Contos ciganos declamados em clima de festa e o tempero especial para essa combinação são os pratos cuidadosamente preparados para envolver ainda mais o espectador nas delícias da cultura do povo nômade.

E Gabriela Hess dá o tom e desperta. É ela quem conduz o espetáculo no papel da contadora de histórias e, com um sorriso de menina, provoca envolvimento. A força com que carrega as palavras é arrebatadora e o gestual expressivo colore a imaginação do público em momentos que transitam por diversos campos da emoção.

Fazendo jus à musicalidade dos ciganos, os contos são acompanhados por melodias típicas e, nos momentos mais expressivos, as atenções recaem sobre o violonista Arthur Iraçu que dita o ritmo e marca o compasso de cada história.

Memória degustativa - Entre uma contação e outra, o jantar é servido. No cardápio, as comidas temperadas por fortes iguarias como gengibre, mel e calda de vinho trazem à tona alguns aspectos da memória degustativa, proporcionando a experiência de ultrapassar fronteiras e viajar pela cultura gitana por meio da degustação.

Maçã assada com farofa de castanha do Pará, laranja com especiarias, sangria, sopa de cenoura com gengibre e mel são alguns dos itens servidos com a assinatura da chef Joana Leis – responsável pela elaboração do cardápio inspirado na culinária originária da Espanha, Andaluzia e Catalunha.
Mas, o ingrediente mais importante dessa cozinha e que costura a proposta de “Contos Ciganos” é o resgate da tradição oral, característica da língua ágrafa dos nômades, um idioma sem forma escrita.
Assim como sua perpetuação que conta somente com a transmissão oral dos conhecimentos, a contação de histórias neste espetáculo pega carona no costume e resgata nas pessoas a capacidade de imaginar. De se deixar envolver pelas palavras e transportar-se para universos (físicos e psicológicos) dos mais diversos.

“Ser contadora de histórias representa alegria no sentido de poder me transformar no outro, olhar o mundo por meio de uma ótica diferente da minha, cultural e existencialmente”, reflete a atriz.

O projeto “Contos Ciganos” conta ainda com o apoio da casa de cultura Estrellas Gitanas, de São Paulo, que fornece elementos de pesquisa e conteúdo cênico para as apresentações como as danças típicas que são realizadas durante o espetáculo.

É com muito exotismo e fascínio que o projeto de Gabriela Hess e sua trupe enaltece e desmistifica a cultura cigana. Traz para muito perto o calor e a energia contagiante dos valores, crenças e jeito de viver desse povo de costumes ruidosos, ornamentados, apaixonados e livres.

"O céu é meu teto, a terra minha pátria e a liberdade minha religião”. (Pensamento Cigano)

Alguns momentos do espetáculo
Fotos: Patrícia Rocco

Gabriela no santuário cigano (Lola Bistrot)

Interação com o público é marca registrada de "Contos Ciganos"

O músico Arthur Iraçu

E Gabriela é pura emoção

Joana Leis, a Chef

A alegria dá o tom do espetáculo!


... e a sensual dança cigana contagia o público

O figurino!

As mãos...

... e o mistério da cigana.

Projeto “Contos Ciganos”

Ficha técnica:
Atriz: Gabriela Hess
Direção: Priscila Harder
Músico: Arthur Iraçu (Violonista e Percussão)
Chef: Joana Leis

** O espetáculo aconteceu no restaurante Lola Bistrot (Vl. Madalena – SP), ano passado.
A agenda de apresentações para 2008 ainda não foi divulgada.


quarta-feira, 21 de novembro de 2007

AGUARDE!! ENTREVISTA COM A ATRIZ GABRIELA HESS E NOVIDADES SOBRE SEUS CONTOS CIGANOS!


"Folias Mostra Tudo VI"! Grupo divulga programação especial de fim de ano


Para mais informações: www.galpaodofolias.com.br

Satyrianas: Festa do teatro invade a Praça Roosevelt e colore o centro velho de SP com muita arte e improviso


Fotos: Patrícia Rocco

Pela primeira vez participei do "Satyrianas - Uma Saudação à Primavera", o maior evento teatral do país promovido pela cia. Os Satyros. A experiência de quase 4 dias dormindo pouco foi muito interessante pois, além de compartilhar com as pessoas lá presentes o momento especial, pude ter uma nova visão acerca dos "fazedores" de cultura da cidade.

No dia 11 de outubro foi dada a largada para 80 horas de atividades culturais ininterruptas, como leituras dramáticas, saraus, shows, cafés literários, debates, palestras e espetáculos que acabaram somente no domingo, 14.

A Praça Roosevelt (centrão velho de São Paulo), palco da comemoração, ferveu. Público e artistas circularam livremente pela grande festa e o relógio foi a última preocupação. Durante os quatro dias, tardes, noites e madrugadas, a disposição da galera e a alegria da reunião foram o cenário perfeito para a confraternização na praça e seus arredores.

A idéia da vigília cultural surgiu há 16 anos e, a cada primavera, vem reunindo mais adeptos. Ano passado, cerca de 12 mil pessoas acompanharam a programação. Este ano, sob o tema "O Ator e Seu Personagem", a 8ª edição do evento (entre 1992 e 1999 a companhia esteve em Portugal), contou com mais de 200 peças que foram oferecidas ao público no melhor sistema 'pague quanto quiser ou puder'.
Isso sem falar no DramaMix que reuniu 78 dramaturgos, respectivos diretores e cerca de 200 atores para fazer a leitura encenada de textos em intervalos de uma em uma hora.

Tudo isso debaixo de uma lona com capacidade para 200 pessoas erguida especialmente para esse fim.

O Satyrianas envolveu nessa ação outros grupos de teatros de toda a capital. Dentre os participantes estiveram o Espaço Parlapatões, Galpão do Folias, Teatro Bibi Ferreira, Tusp e até o Museu da Língua Portuguesa que apresentaram seus
espetáculos a cachês simbólicos, sob o mesmo sistema proposto pela comemoração.
Integração no improviso da arte - Mas o que mais me chamou a atenção foi a disposição das pessoas que, em plena 2 da madrugada de sexta-feira, curtiam descompromissadamente o som de uma banda montada estrategicamente no meio da praça. Ali eram recitados poemas e qualquer pessoa que quisesse "mostrar sua arte" podia entrar e se instalar. Um verdadeiro sarau a céu aberto. Assim mesmo, no improviso.
Meu segredo - Durante os quatro dias de evento, o público recebeu também cartões-postais para colocar ali suas confidências amorosas. Não era necessário se identificar. A iniciativa fez parte da ação "Meu Segredo" que utilizará tais confidências no estudo e confecção do enredo da peça Hipóteses para o Amor e a Verdade, previsto para estrear em 2008, em um dos espaços dos Satyros.

Desejo vida longa às Satyrianas! Esse grande encontro com a arte, com a emoção humana e com a beleza da celebração à vida a céu aberto. No passo dessa dança, o colorido se fez presente e a paixão com que esses artistas se debruçaram em seu fazer teatral contagiou os espectadores que, como eu, deixaram a velha praça com os olhos mais brilhantes.

Para saber tudo o que rolou nas Satyrianas, entre no site: http://www.blogger.com/www.satyros.com.br

Momentos da festa: